O Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja decidiu manter a suspensão dos efeitos da avaliação no concurso para professores contratados, que decorreu entre Abril e o princípio deste mês, anunciou hoje a Federação Nacional de Professores.Contactada pela agência Lusa, fonte do Ministério confirmou que a tutela recebeu hoje de manhã a decisão do Tribunal de Beja, estando ainda a analisar a matéria, pelo que remeteu para mais tarde qualquer declaração sobre este assunto.
Segundo a Fenprof, o tribunal rejeitou deste modo as questões colocadas pelo Ministério da Educação na sequência do decretamento provisório da providência cautelar interposta pelos Sindicatos dos Professores da Região Sul. No princípio de Maio, na sequência desta providência, o TAF de Beja ordenou a suspensão dos efeitos da avaliação no concurso para professores contratados, ao qual concorreram cerca de 50 mil docentes.
Na sentença, o Tribunal admitia que o facto de o modelo de avaliação de desempenho ter sido aplicado de forma diferente pelas escolas pode pôr em causa os princípios constitucionais da igualdade e “liberdade de escolha de profissão e acesso à função pública”.
A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) acaba de apelar aos docentes para que não apresentem as respectivas candidaturas aos concursos de colocação que hoje tiveram início e que, denuncia, “já registam algumas irregularidades”.Num texto em que pede aos professores que aguardem por “esclarecimentos” ou “desenvolvimentos” (em http://www.fenprof.pt) a federação esclarece que aquelas estão relacionadas com a aplicação electrónica destinada à candidatura, da qual consta a avaliação de desempenho.
Sem criticar a influência da classificação na lista de graduação dos candidatos, a Fenprof limita-se a apontar as referidas irregularidades. Especifica que a aplicação electrónica da Direcção Geral de Recursos Humanos da Educação, em que são pedidos os resultados da avaliação quantitativa e qualitativa, apenas permite introduzir os intervalos de cada avaliação (no caso do Bom apenas aceita as notas de 6,5 a 7,9, por exemplo). Um problema já denunciado em caixas de comentários de vários blogues sobre Educação, na medida em que, como aponta a Fenprof, devido à existência de quotas ou por não terem sido pedidas aulas assistidas, alguns professores tiveram notas quantitativas superiores à avaliação qualificativa (por exemplo Bom, nota final 8).